terça-feira, 28 de setembro de 2010

Fotos Passadas


    Vejo as fotos amareladas, d'um álbum guardado no fundo do armário. Deixo que suas cores esmaecidas sejam novamente tingidas pela lembrança. Simílimo à uma obra de arte, espero que me entenda. Permito que as figuras se transformem em movimento, e me venham abraçar e me contar histórias. Carícias próprias, que me levam a viver, de volta, um mundo puro, de uma fantasia contada por fadas- bem, pelo menos a ignorância me fazia (vi)ver isso. 
    Crianças e adultos felizes, rindo de verdade, deixando a impressão de que, com o tempo, o mundo se torna um lugar horrível. Ou vai ver seja a idade a culpada. Ou vai ver a vida se torne horrível. Mas vejamos pelo lado positivo sempre, senhores. A vida não é tão boa que não possa melhorar. Sorrir está disponível em qualquer coisa, então não poupe. Se permita a felicidade. Sorria!






Interior de um salão, Beirute, 1864

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Palavras ao Vento


     Eu lanço mil palavras ao vento. Palavras que me imundam a alma, e ventos que me purificam. Que sejam varridas, e não se deixem prender num obstáculo, voem livres. Sei que é pedir demais, mas seria bom se elas não voltassem para obscurecer minha mente. Mas o vento teima em nos bloquiar do sol, com qualquer que seja a nuvem.
    Diga-me senhores, existe vida tão plena que não haja em um só momento melancolia, ódio e desamor? Bem, eu ainda não vivi uma vida, então não encare como uma pergunta retórica. Mas há resposta, ou seria mais um mistério? Não faço questão de ser sábia, mas quem sabe, um dia, descubro a resposta...


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A Little Joy

     Um pequeno prazer, um pouquinho por dia, só isso. Posso não ser capaz de tê-lo por mim mesma, então me ajude. Se for pra ter humildade, que seja agora, de uma vez, numa só súplica. Mas antes disso, você pode me ajudar? Se não, venha! Entre no barco, se não temos, vamos juntos encontrá-lo. Pode levar uma vida, mas o que seria de uma vida se dela não ser levada. Lavada, tenha a sua alma. 
     Amor, suba, vamos escalar o monte mais alto e tentar tocar o céu. Podemos cair, nos perder, nos separar. Temos um mundo de possibilidades, mas venha, suba. Sem graça seria uma vida de certezas. Essas são previsões que dispenso, obrigada. Você vem? Se não, não se preocupe, você vai estar comigo onde quer que eu vá, mas gostaria, de verdade, que de além de espírito viesse comigo de corpo.
     Feche os olhos, mesmo que vá atravessar uma corda supensa entre dois precipícios, confie em mim. Vão dizer tudo, menos que te ajudarei a atravessar. Mentira. Estarei contigo até se cair, mas farei o possível para que chegue ao fim. Confie amor, confie.


"Tu Serás Feliz"...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Os Cães

Por que tanto ódio? Por que tão pouco amor?
    Esses dias, estávamos conversando, e lhe veio citar um texto de Paulo Coelho. Falava de cães dentro de nós: um mau e um bom, que constantemente brigavam. No fim, dizia ganhar aquele que melhor alimentássemos. Vai ver o cão bom nos aconselha a alimentar o ruim pra que não morra de fome. Bem, não duvido do poder do amor.
    Ódio. Como algo tão ruim pode ser tão prazeroso, às vezes? Ora, senhores, não me permito ser um anjo, também não um demônio, mas hei de confessar que o mal às vezes me cai bem. Principalmente quando vem junto com o doce da vingança. Mas tudo dura pouco, sempre engulo à seco junto com o arrependimento. Bendita compaixão...
    Amor. Talvez por tão complicado muitos desistam do mesmo. Doloroso. O amor bem pode ser representado por uma coroa de espinhos- não falo de religião-, se já, por muitos, não for. Mas o que sabemos do amor? Pra que conhecê-lo? Ame, simplesmente, ou complexadamente. Mas ame, ame, ame!

domingo, 19 de setembro de 2010

Oportunidades

    Você as têm, você as usa- bem ou mal-, você as perde. Talvez a sua perda seja um ganho pra outro, o que me consola. Se for verdade, não há oportunidades perdidas, já que outros podem aproveitá-las. O pior que pode acontecer é  se arrepender de não usar uma oportunidade da melhor forma. Mas como saber se daria tudo certo?
    Bem, agradeça a Deus por não atender a todos os seus pedidos. Veja os caminhos que a felicidade tenta te mostrar, veja, e o siga. Deixe-se levar, não tenha medo. Pode perder muito mais por ter medo de tentar, do que arriscar e perder. Se perder pelo menos tem outra chance, mas se não tentar... Pode ser que não aconteça de novo. Então, vá, seja feliz o quanto quiser. Porque conseguir, ou não, é questão de opinião. 



"E nos faz perder o bem que poderíamos conquistar,
Se não fosse o medo de tentar..."
(W. Shakespeare)

sábado, 18 de setembro de 2010

Pois Bem...


    Poderia escrever sobre o livro que não termino de ler por não querer que a história acabe, e passe a ser mais um livro empilhado na estante; ou uma história real, que te faça sentir o mesmo que a personagem; ou quem sabe algo que me revolte, já que tenho tantas arranhando minha garganta, pedindo pra sair. Bem, prometo ser o próximo. 
    O começo foi escrito com óleo reluzente. Já foi, e ainda será, manchada com lágrimas. Espero que de felicidade. Mas sei que nada é um conto de fadas. A felicidade nem sempre aparece se você estiver procurando por ela. Como por implicância, ou o destino gosta de pregar peças, ou quer te dar uma razão pra cada dia. Mas eu tive sorte: não procurei, não esperei, não busquei um sonho. Estava acordada quando ele me veio. Entrou da forma mais sutil e escandalosa possível. É... a vida é cheia desses paradoxos. 
    Mas do que importa a história? No momento me bastam as causas. Ou o simples e complexo olhar puro e mundano- mais puro, muito mais puro- que me encara; o sorriso que me acalma e que me anima; a ternura que me envolve e me faz plena. Queria passar tudo que sinto, e fazer com que sentisse o mesmo, mas não é um texto que te faz, e nem um apaixonado me entenderia. O amor é um amor pra cada um, ou pra cada dois. 
    Silêncio. Ouça meu coração acelerando enquanto chega mais perto e me acolhe. Parece que está mais frio, ou somos nós? Meu amor...
    Pois bem, te espero até o fim, e espero que ele não chegue. Obrigada.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Divino


    Voltava pra casa, ainda estava no ônibus. Já à noite, cansada, me deixei fechar os olhos umas três vezes. O movimento era demais, então o máximo que consegui foi citar algumas vezes "Jai Guru Deva". E sim, isso dá certo comigo. Imaginei não entrar num transe, mas não foi o que aconteceu. Não o mesmo de quando se medita de verdade, mas é você estar ali e não estar.
    De princípio, pensei em fim. Morte. Não acho que tenho medo da morte. Não sei se por nunca ter chegado perto dela involuntariamente, ou por qualquer outra razão que não digo por não me vir. Dentre esses pensamentos me veio escrever uma carta mental de todas as despedidas, como se os destinatários pudessem me ouvir. Gostaria que sim, já que sentia um mal por perto, minha garganta se fechava cada vez mais, e como se não pudesse respirar e nem reagir. Agir. Não me movi nem por um minuto, a não ser na hora em que o ônibus arrancou. Só me ajeitei no banco, mas fora isso, não permiti olhar para fora da janela, ou para o teto do ônibus. E se olhava não olhava, apenas mirava. Na verdade olhava pra dentro de mim.
    Quase no fim do percurso de volta pra casa, uma luz. Uma que clareou todos os meus pensamentos e, por um momento, afastou todos os meus medos. Não fiz mais que agradecer a vida que tenho, as pessoas que tenho, as oportunidades, as experiências. Elas me fazem o que sou, e o que serei. Amém. Mil orações em um minuto. O tempo estava parado pra mim. Era preciso falar. Amém. A última palavra antes de voltar e descer daquele ônibus. 
    Entrei em contato comigo mesma no melhor dos sentidos. Amém...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tempo, Tempo, Tempo, Tempo...

    Não odeio minha vida. Por isso não mudaria nada, não voltaria no tempo pra mudar algo que fiz ou não. Não por falta de arrependimento, mas gosto do rumo que levo minha vida. Cada detalhe mudado no passado poderia ser um tanto fatal e me arrependeria de ter me arrependido. Quem disse que não pode piorar?
    Erros sempre são cometidos, adrenalina sempre é desejada. Então não reclamo se algo dá errado. Espero o melhor, e se demora eu vou atrás dele. Não peço uma máquina do tempo, sou grata pelo que tenho. Tempo... Também não peço tempo, reparei que cada momento dura o suficiente. O bom seria fazer uma felicidade durar o tempo de uma tristeza. Mas seria fácil demais...
    O tempo e seus mistérios... Questioná-lo é uma boa maneira de passar por ele. E é certo que por mais que a gente cresça, ele permanecerá um mistério.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Um Castelo, Uma fonte

    
    Ela desenhou um castelo, um belo castelo, no muro. Usara giz e pedaços de tijolo. Entrou em casa sorrindo. Não sorria normalmente, mas de uma forma aquele desenho a fazia feliz, a dava um certo brilho esverdeado nos olhos.  
    Sua rotina era sempre a mesma: acordar, ir à escola, voltar pra casa, almoçar -geralmente sozinha, mesmo com uma família grande- e ir pro quintal, onde passava o resto do dia. As vezes passava as noites na casa da árvore, que já estava lá quando chegaram. Nessas noites, passava horas acordada sonhando com dias melhores e felicidade. Também sonhava com carneirinhos que entravam pela janela da casa da árvore e lhe contavam estorinhas encantadoras.

    Era de manhã bem cedo. Todos haviam acordado, menos sua irmã mais nova. Nunca mais acordou. Pela primeira vez a menina conhecia a morte bem de perto. Sua cor não era negra, era pálida. Fria e pálida. A cada grito de desespero a menina dava um passo à frente, até que ficou bem perto da mãe e a abraçou. 
    Depois do enterro a menina, ainda sem derramar nenhuma lágrima, subiu na casa dá árvore e esperou seu carneirinho companheiro. Ele não veio essa noite. Vieram apenas lembranças da irmãzinha fria deitada sem vida. Por um momento acendeu uma esperança: "Minha família se unirá por isso". Ao pensar isso um aperto no coração e uma garganta fechada a fez derramar rios de lágrimas. Só fez pedir perdão à Deus pelo pensamento e se deixou dormir.

    Dias depois uma crise maior do que a cotidiana. Seus pais brigavam como nunca, e de forma mais agressiva. Assustada a menina recorreu ao muro. Seu desenho ainda estava lá. Estava se apagando, mas ainda era perceptível. Retocou o desenho e em seguida desenhou uma fonte ao lado do castelo. 

   Tempos depois, no seu aniversário precisamente, a menina pediu uma pequena festa, pra poder chamar seus melhores amigos. Seu pai recusou seu pedido mais uma vez. Dessa vez a mãe resolveu discutir com o pai sobre o assunto. Pronto. 
   Se deu um silêncio fora do normal. A menina foi ver o que era. Se dirigiu a cozinha e lá viu a mãe caída no chão, aos prantos, e seu pai apoiado na mesa com uma mão e a outra massageando as têmporas. Ao ver a menina, o pai se transformou num ser extraordinariamente assustador. Gritou:"A culpa é sua! Isso - apontava para a mãe, caída- isso, é culpa sua!". Ela fugiu das acusações, dos gritos monstruosos e se aconchegou, claro, na casa da árvore. Mas antes parou no jardim e reparou que seu desenho havia sido apagado.
    
    Chorava. "A culpa é realmente minha". Chorava. Seria mesmo sua culpa? Não. Mas quando se está com raiva todos são culpados. Certo que a discussão começou por um pedido feito pela menina, mas o resto, ela não tinha nenhum tipo de envolvimento. Pura maldade culpá-la. Sem esquecer que se trata de uma criança.

    "Carneirinhos, venham" - pediu. Essa noite não dormira. Passou em escuridão tentando esclarecer suas ideias. Já não chorava, mas estava extremamente pertubada. Sentiu uma dor que atravessava seu corpo e que pareceu explodir seu coração. Dor, muita dor. Não física, mas espiritual. Nunca havia se sentido tão culpada. Esqueceu seu aniversário, seus sonhos, seus amigos e sua família. Não estava feliz. Não era feliz.
    Não foi vingança, não foi lição. Foi uma explosão de sentimentos nunca sentidos antes e expressos num único ato. O último ato. Com uma overdose de remédios e um copo de uma bebida que ela não conhecia -mas sabia as consequências do que fazia pelas ameaças em que a mãe dizia fazer o mesmo- se despediu do mundo, da vida, dos carneirinhos, do castelo, da fonte. Adeus, pra sempre.

    Mas deixou uma carta:

Meu castelo foi apagado. Minha fonte enfim secará.
O castelo desmoronou encima de mim. Deus me perdoe.
Mas o castelo desmoronou e não posso fazer nada, a culpa foi minha...
    Seu castelo era sua família, e sua fonte a tristeza.

    No fim, sua morte serviu para reunir sua família caracterizada por perdas. Foi mais eficaz que sua irmã nesse ponto. Mas nada consola a perda de uma criança que se foi com as lembranças do que ainda não tinha vivido. Tão menina e já conhecia tanto mal. Adeus, pra sempre...

Um Vencedor

    Egoísmo. Devemos ter um tipo de anoftalmia por não ver isso todos os dias. Ou queremos sem querer ser egoístas. Como, por exemplo, querer salvar o mundo. Nos "importamos" com ele, mas esquecemos de fazer algo pelo mesmo. O mundo é competitivo em tudo, ou quase tudo. E pra nos sobressair precisamos nos tornar melhores. Aí está o egoísmo, senhores. Por um momento não nos importamos com um outro. Só com nós mesmos.
   Não que seja errado, pelo menos não julgam isso como tal. Pra mim é um tanto humano. Mas mal visto se for pensar o que fazemos pra alcançar o topo. Quantos precisamos deixar pra trás. Compaixão. Ela e competição caminham juntas assim como religião e ciência.
   Deixo claro que pra mim o mal não é competir. Mas o que fazemos numa competição.

   Então, o importante é não desistir. Seguir...

domingo, 5 de setembro de 2010

Expectativas

   Tenho medo do futuro, confesso. Pode acontecer tanta coisa, e não gostaria que ele escorresse entre os meus planos. Tenho medo de não amar e ser feliz, de não ter sucesso e reconhecimento. De não ter um espírito tão jovem mesmo sendo tão velha. De não ser tão humana quanto espero ser um dia. De não viver...
   Minha mente é tão jovem, mas tão preocupada. Simples seria poder viver sem isso. Sem se preocupar totalmente com o mundo, com as pessoas, com seu mundo, com as suas pessoas. Personagens. Seria fácil ser um personagem. Provavelmente teria uma vida emocionante ou triste, a ponto de dar uma boa história. E quem sabe uma garantia de final feliz. 
   Mas o que resta é ter uma vida sem elenco, palco, contra-regra, diretor. Esperar o melhor e encará-la com ou sem coragem. Mas encará-la. A vida é uma Caixa de Pandora...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Me Perdoe

   Duas crianças: a que se achava sofrida, traumatizada e mal amada; e a outra, a sua amiga.
Num dia, se preparando pra ir a escola, a mãe da pobrezinha se irrita com algo que a filha fez e a compara, de uma forma bruta, ainda mais com uma criança, com sua amiga. Aborrecida a menina xinga a amiga de coisas que de tão imagináveis até ela se surpreende. Triste, com raiva e ao mesmo tempo envergonhada, ela sai chorando e vai se aconchegar a sombra do coqueiro do seu quintal. Chorando, percebe a presença da amiga. "Está tudo bem?". Aquela voz suave soava como a voz de um anjo protetor. Não, não estava tudo bem. Silêncio. 
   Chegou mais perto. Mais perto. Silêncio. Apoiou uma das mãos em seu ombro e em seguida acariciou seu cabelo. De uma forma cândida a raiva passava, devagar. O silêncio permaneceu até que saíram. Uma sem mágoas e a outra com o perdão. Silêncio...

   E caso erre com você também, me perdoe.

Paciência

Vou ser breve, já que me  falta tempo.
Bem, a paciência. Bendita paciência, a mesma que me falta agora. Já cheguei a pensar que o sorriso de uma criança me adoçaria, mas me sinto tão amarga quanto o sabor das minhas manhãs.
Só queria me trancar num quarto escuro e gritar por todas as minhas angústias, todas as minhas tensões.
E ponto.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ouro dos Tolos

Cola. Já precisei dela. Inúmeras vezes partiram meu coração em milhares de pedaços.
Como foi difícil curá-lo... Mas vivo cada dia sem medos, e quase sem traumas. Feliz. Ainda assim sou.
Infelizmente sempre aparece mais uma dessas pessoas, essas que te querem pelas costas. Espero que leve tempo. Espero que nunca cheguem. Mas sempre chegam.
Comece com um "Olá" e logo estarão te dizendo "Adeus, idiota!". Como se não bastasse serem cruéis, eles querem ser cruéis com você. E fazem tudo de uma forma tão implicitamente planejada.
Chegam como quem não quer nada, arrumam espaço e na hora certa se arrancam com tanta força que além da ferida ainda te deixa um vazio. Mas com o tempo e experiência aprende-se a identificá-los, assim ficando mais fácil se cortar o mal pela raiz.
Ah, maldito ouro dos tolos...